Itaú Cultural Play faz sessão especial com novo filme de Maria Clara Escobar e amplia programação de produções indígenas e fantásticas 

Desterro, estreia da cineasta na ficção em longa-metragem, fica disponível por duas horas na plataforma de streaming do Itaú Cultural. Exibido em festivais internacionais, a produção reflete sobre a vida no interior de uma mulher e seus embates no contexto político brasileiro. O catálogo da plataforma ainda é atualizado com sete obras do Norte, Sul e Sudeste que unem histórias realistas e fantasiosas. Mais dois longas-metragens dirigidos por cineastas indígenas, cujas narrativas mergulham sobre a cultura, os costumes e os desafios de dois povos originário, reforçam a programação  

 

Na quarta-feira 7 de setembro, entre 20h e 22h, a Itaú Cultural Play realiza uma sessão especial de Desterro, primeiro longa-metragem de ficção roteirizado e dirigido por Maria Clara Escobar. No dia 9, a plataforma fixa em sua programação a mostra Janelas Extraordinárias, uma seleção de sete filmes, dirigidos em Tocantins, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, que flertam com o realismo e a fantasia de suas histórias. A programação é completada com as inclusões de mais dois títulos de cineastas indígenas: Bicicletas de Nhanderú e Nũhũ Yãgmu Yõg Hãm – Essa terra é nossa! 

 

A plataforma de streaming Itaú Cultural Play é gratuita e pode ser acessada por dispositivos móveis IOS e Android ou pelo site www.itauculturalplay.com.br 

 

Sessão especial 

Considerada pela crítica uma das mais importantes realizadoras da atualidade, a premiada roteirista carioca Maria Clara Escobar ganha um esquenta para a estreia oficial de Desterro (2020) nas salas de cinema do país, prevista para o dia 22 de setembro pela distribuidora Embaúba Filmes

 

Disponível na Itaú Cultural Play, das 20h às 22h do feriado da Independência do Brasil, o filme faz uma reflexão sobre a condição da mulher e o contexto político brasileiro, ao narrar a história de uma dramaturga cuja vida conjugal é monótona e determinada pela rotina e as trivialidades. Em um gesto inesperado, um dia ela desparece sem deixar rastros.

 

Carla Kinzo e Otto Jr, da série Arcanjo Renegado, protagonizam a história, acompanhados de um seleto elenco: Bárbara Colen (BacurauQuanto mais vida melhor), Isabél Zuaa (A Viagem de Pedro), Georgette Fadel (Aruanas), Grace Passô (Temporada) e Maria José Novais Oliveira (Ela Volta na Quinta).

 

A produção concorreu ao Tiger Award, prêmio mais importante do Festival de Cinema de Roterdã de 2021, na Holanda. Também foi exibida, no mesmo ano, no Festival do Rio e em festivais da Suécia, Taiwan e na Áustria.

 

O fantástico e o real 

Realizados nos últimos anos por jovens diretores das regiões Norte, Sul e Sudeste, a seleção da mostra Janelas Extraordinárias aponta um dos caminhos que o audiovisual brasileiro tem trilhado para romper as fronteiras entre as histórias realistas e fantasiosas.

 

No filme de terror Chacal (2020), a diretora paraense Marja Calafange trata o processo de envelhecimentos de seus personagens de forma poética e original, em um roteiro sem diálogos. Nele, uma senhora idosa, sufocada por uma inexplicável pulsão de morte, abandona seus bens, sua casa e sua família. Ela decide viver na floresta, até se integrar completamente à natureza.

Coprodução de Brasil e Portugal,  Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (2018) resulta de uma relação dos cineastas João Salaviza e Renée Nader Messora com o povo Krahô, que vive em uma aldeia indígena de Pedra Branca, no estado do Tocantins. Premiado na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes, o longa-metragem faz uma experimentação híbrida entre o documental e o ficcional.

O filme mostra a história de um jovem Krahô que é convocado pelo seu pai a se tornar um xamã. Após negar o pedido, ele foge para a cidade grande, mas, distante da sua cultura e da sua ancestralidade, sentirá as consequências da sua decisão.

Em Egum (2020), o diretor Yuri Costa trata da violência e do genocídio da população negra. Ao mesmo tempo, resgata a ancestralidade e a cultura de origem africana. A obra, composta por uma equipe formada majoritamente por negros, é inspirada na história do psicanalista e filósofo político Frantz Fanon, natural das Antilhas da colônia francesa da Martinica e cujas obras tornaram-se influentes no campo dos estudos pós-coloniais e da teoria crítica.

O filme acompanha os desafios de um renomado jornalista, perturbado pela morte de forma violenta do irmão. Ele volta para casa para ajudar a cuidar da mãe, que tem uma doença desconhecida. Uma série de acontecimentos e encontros estranhos envolvendo seu pai o levam a suspeitar e temer que uma tragédia se abata novamente sobre a sua família.

Com direção de Beatriz Seigner, Los Silêncios (2019) mostra a ressignificação das fronteiras da Amazônia e aborda temas ligados aos refugiados, luto e alteridade. Após fugirem de um conflito armado, um pai e seus dois filham chegam a uma ilha na fronteira entre o Brasil, Peru e Colômbia. Enquanto tentam uma nova vida, a família descobre que a ilha é conhecida por ser povoada por fantasmas.

Contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, Mãtãnãg, A Encantada (2019),de Shawara Maxakali e Charles Bicalho, é uma história de amor com toques de espiritualidade que faz o espectador conhecer a cultura do povo da Aldeia Verde, no município de Ladainha, em Minas Gerais, que dá nome ao filme.

O longa-metragem de animação conta a mitologia Maxakali ,segundo a qual Mãtãnãg seguiu o espírito do marido, fulminado por uma picada de cobra, até a aldeia dos mortos. Apesar de ultrapassarem juntos os obstáculos entre esses dois mundos, a alma de Mãtãnãg precisa voltar para o plano terreno. Essa não será a última vez em que vivos e mortos se reencontram.

Com direção de Marina Meliande, Mormaço (2019) mescla realismo e fantasia para abordar a especulação imobiliária brasileira, durante a preparação do maior evento esportivo do mundo no Rio Janeiro.  O filme mostra a história de uma defensora pública, que trabalha na defesa de uma comunidade carioca, às vésperas das Olimpíadas de 2016, no Rio. Ameaçada de ser expulsa de seu posto, para que não impeça a realização das obras no Parque Olímpico, ela começa a apresentar sintomas de uma doença misteriosa, enquanto o mormaço toma conta da cidade

Esta seleção de filmes é completada com o curta Sem Asas (2018), de Renata Martins. A produção mostra os perigos que a população negra da periferia enfrenta em seu cotidiano. Ele retrata os desafios constantes para serem ultrapassados nas famílias, a transição da infância para uma maturidade forçada, o racismo e a truculência policial.

A narrativa inicia com um jovem estudando para uma prova, enquanto o seu pai começa a trabalhar em um novo emprego e a mãe faz coxinhas para vender fora. Um dia, ela pede para o filho ir comprar farinha de trigo, mas o simples ato de sair para buscar o ingrediente no mercado ocasiona um grande conflito impactando a realidade de todos.

 

Sob o olhar dos povos originários 

Incrementando as produções audiovisuais de realizadores indígenas no catálogo da Itaú Cultural Play, a mostra Filmoteca Indígena reúne dois filmes que mostram a cultura, os costumes e os desafios de dois povos originários.

Dirigido por Patrícia Ferreira Mbya e Ariel Duarte Ortega, Bicicletas de Nhanderú (2011) traz o cotidiano e a espiritualidade do povo da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul. Realizado pelo Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e produzido pelo Vídeo nas Aldeias, o documentário coloca em debate, a partir de dois meninos, os efeitos do contato com a cultura dos não indígenas.

O filme mostra que, de acordo com a crença dos Mbya-Guarani, que a queda de um raio significa que Tupã enviou uma mensagem de Nhanderú, descontente com as atitudes dos habitantes da aldeia. Todos precisam rever seus conceitos.

Nũhũ Yãgmu Yõg Hãm – Essa terra é nossa! (2020) reuniu quatro diretores: Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero. Eles mostram nesse filme  a ação devastadora do homem branco sobre os indígenas, desde a chegada dos portugueses até os dias de hoje. Tikmũ’ũn narram a história da colonização e da violência dos não indígenas contra eles e a floresta, segundo a sua visão. A morte dos rios e das matas, a invasão de terras e o extermínio de aldeias inteiras são descritos a partir de uma indignada e iluminadora perspectiva. 

 

SERVIÇO:  

Itaú Cultural Play 

www.itauculturalplay.com.br 

 

SESSÃO ESPECIAL

7 de setembro  (quarta-feira), das 20h às 22h

 

Desterro (2020)  

De Maria Clara Escobar

Duração: 123 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (violência e linguagem imprópria)

 

MOSTRAS 

9 de setembro (sexta-feira) – programação fixa no catálogo

 

JANELAS EXTRAORDINÁRIAS:

Chacal (2020, Paraná)  

De Marja Calafange

Duração: 15 minutos

Classificação indicativa: 14 anos (nudez e medo)

 

Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (2018, Tocantins) 

De João Salaviza e Renée Nader Messora

Duração 114 minutos

Classificação indicativa: Livre

 

Egum (2020, Rio de Janeiro)

De Yuri Costa

Duração: 23 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (drogas lícitas, medo e linguagem imprópria

 

Los silencios (2019, São Paulo) 

De Beatriz Seigner

Duração: 89 minutos

Classificação indicativa: 12 anos (violência e temas sensíveis)

 

Mãtãnãg, A Encantada (2019, Minas Gerais) 

De Shawara Maxakali e Charles Bicalho

Duração: 14 minutos

Classificação indicativa: 10 anos (Drogas lícitas, violência e nudez)

 

 

Mormaço (2019, Rio de Janeiro) 

De Marina Meliande

Duração: 97 minutos

Classificação indicativa: 14 anos (violência, conteúdo sexual e drogas lícitas)

 

Sem Asas (2018, São Paulo) 

De Renata Martins

Duração: 20 minutos

Classificação indicativa 12 anos (Medo e violência)

 

FILMOTECA INDÍGENA 

Bicicletas de Nhanderú (2011) 

De Patrícia Ferreira Mbya e Ariel Duarte Ortega

Elenco: PPovo Mbya-Guarani

Duração: 45 minutos

 

Nũhũ Yãgmu Yõg Hãm – Essa terra é nossa! (2020) 

De Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero

Duração: 70 minutos

Classificação indicativa: 10 anos (angústia e violência)

 

Itaú Cultural   

www.itaucultural.org.br 

 

(Com informações da Assessoria)

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DIÁRIO DE BORDO NO JP

Vanessa Serra é jornalista.
Bacharel em Comunicação Social- Jornalismo com pós-graduação em Jornalismo Cultural na UFMA.

Criadora de conteúdo, roteirista, DJ, colecionadora de discos, produtora artística e fonográfica. Ludovicense, filha de rosarienses. Morou na Cohab, Fé em Deus, Liberdade em São Luís, passou três anos em Codó, e voltou para a capital residindo na Rua Basson (Apeadouro – Bairro de Fátima) e Cohatrac IV. Foi aluna do Colégio Batista.

Gosta de cozinhar. Sempre foi (e pretende continuar sendo) apreciadora da culinária a base de frutos do mar, dos modos e costumes nordestinos; brincante da Cultura Popular e uma assídua frequentadora das mais diversas regiões da Ilha de São Luís e do Maranhão. É autora dos projetos de difusão musical “Vinil & Poesia” e “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”.

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