Pôr do sol na Praça dos Poetas em “Esses são os dias” de Fernando Abreu

Chegando a primavera, bons ventos para “Esses são os dias” do poeta Fernando Abreu que será lançado nesta quinta-feira (15), ao pôr do sol na Praça dos Poetas, centro histórico de São Luís. A tarde/noite de autógrafos terá recital com o autor e convidados. Este é o sexto livro do autor e o terceiro pela editora carioca 7Letras.

“Esses são os dias” reúne 35 poemas escritos nos últimos quatro anos, divididos em cinco seções temáticas. Em sua quase totalidade, são textos de fôlego alongado e tom reflexivo, acentuando a tendência dos dois livros anteriores, com os quais dialoga mais de perto.  O tom sóbrio não esconde, porém, aspectos que sempre foram marcantes na poesia do maranhense, conforme destaca o poeta e jornalista Celso Borges na orelha do livro.  “Entre o desconforto, a ironia a rotina e a compaixão, seus versos se espalham e transbordam afeto”.

Além de Borges, companheiro de longa data, três outros poetas se revezam em textos sobre o livro: os maranhenses Luís Inácio Oliveira (autor do prefácio) e Luís Augusto Cassas e o curitibano/paulista Ademir Assunção. Este último também entrevistou o poeta no final do ano passado para o Podcast “Pedra de Toque”, do Itaú Cultural, ao lado de outros 23 poetas de todo o país.

Sobre a produção mais recente do maranhense, Ademir destaca o risco assumido na opção pelos poemas em versos próximos à linguagem prosaica. “Nesse terreno movediço ele tem se mostrado uma espécie de mágico na beira do abismo: de uma paisagem banal, quase silenciosa, quase sem movimento, súbito salta um coelho da cartola, uma mudança de rumo, uma centelha no palco escuro, que nos espanta, nos comove, nos provoca ou nos encanta – como nos filmes de Jim Jamursch”.

Fernando Abreu

Para Fernando Abreu, que também é letrista, com canções gravadas por artistas como Zeca Baleiro, Nosly e Cláudio Lima, a experiência faz parte da busca permanente pelo maior grau de autenticidade artística possível. “Em poesia o conteúdo é inseparável da forma, uma maior liberdade temática exige uma dose igual de liberdade formal, podendo chegar até a eliminação deliberada do verso e de todo e qualquer recurso associado à linguagem poética. Por isso não se trata de prosa poética, mas sim de poesia prosaica”, arrisca o poeta.

A capa do livro assinada por Márcio Vasconcelos já nos remete a uma experiência sensorial; o movimento, os trilhos, em que direção pode nos levar as páginas escritas de “Esses são os dias”…

O livro está disponível para compra pelo site da editora (https://7letras.com.br/) e, a partir de quinta-feira, no café Guará (R. São João, 387 – Centro).

One Response

  1. Fernando Abreu é o poeta da geração 80, que mais me identifico. Considero sua poesia doce e amarga. Ele brinca com as metáforas criando uma antítese que desequilibra a linguagem e coloca-nos de frente com a condição humana: a contradição.

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DIÁRIO DE BORDO NO JP

Vanessa Serra é jornalista.
Bacharel em Comunicação Social- Jornalismo com pós-graduação em Jornalismo Cultural na UFMA.

Criadora de conteúdo, roteirista, DJ, colecionadora de discos, produtora artística e fonográfica. Ludovicense, filha de rosarienses. Morou na Cohab, Fé em Deus, Liberdade em São Luís, passou três anos em Codó, e voltou para a capital residindo na Rua Basson (Apeadouro – Bairro de Fátima) e Cohatrac IV. Foi aluna do Colégio Batista.

Gosta de cozinhar. Sempre foi (e pretende continuar sendo) apreciadora da culinária a base de frutos do mar, dos modos e costumes nordestinos; brincante da Cultura Popular e uma assídua frequentadora das mais diversas regiões da Ilha de São Luís e do Maranhão. É autora dos projetos de difusão musical “Vinil & Poesia” e “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”.

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